Decidi não me abandonar

Em um treinamento de inteligência emocional, me perguntaram quem era feliz.
Eu respondi na hora: eu.
Naquele momento, eu disse que era feliz porque, apesar dos altos e baixos, me sentia abençoada.
Porque tive uma segunda chance de viver…
e escolhi honrar isso sendo o melhor de mim, me tornando exemplo para os meus descendentes e orgulho dos meus antepassados.
E sim… isso ainda é verdade.
Mas hoje, minha resposta é mais honesta.
Ser feliz nunca foi sobre ter uma vida organizada, leve ou sem conflitos.
E definitivamente não é sobre sustentar um papel.
Ser feliz, para mim, é ter consciência.
Consciência de quem eu sou…
do que eu sinto…
do que eu repito…
e, principalmente, do que eu escolho fazer com isso.
Eu não sou uma mulher que não sente medo.
Eu sou uma mulher que percebe quando o medo tenta conduzir — e decide não entregar a direção.
Eu não sou uma mulher sempre coerente.
Mas sou alguém que volta, olha, reconhece e ajusta.
E é isso que sustenta minha felicidade:
não a ausência de caos…
mas a capacidade de não me abandonar dentro dele.
Na espiritualidade, a gente aprende muito sobre destino, caminho, propósito.
Mas existe algo que pouca gente sustenta de verdade:
responsabilidade emocional sobre a própria vida.
Felicidade, hoje, pra mim, é isso.
Não é um estado.
É um compromisso.
Um compromisso de me escolher com verdade,
de honrar minha história sem me aprisionar nela,
e de construir, todos os dias, uma vida que faça sentido — por dentro, não só por fora.
E talvez seja por isso que eu faço o que faço.
Porque mais do que orientar caminhos,
eu sustento processos.
E só sustenta processo…
quem já entendeu que não existe evolução sem atravessamento.

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